15º ENRS | Trabalhos Aprovados (Resumos)

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HANSENÍASE E CUIDADO COLETIVO NA APS: DESAFIOS NA CONSTRUÇÃO DE GRUPO TERAPÊUTICO DURANTE RESIDÊNCIA MULTIPROFISSIONAL
Authors:
Sara Vitória Silva Maciel, Secretaria Estadual de Saúde de Pernambuco
ID do resumo: 214
Enviado: 31/08/2025
Evento: 15º ENRS
Eixo Temático: Eixo 2 | Vigilância, Cuidado em Saúde e Integralidade na Prática da Residência
Nome do apresentador: Sara Vitória Silva Maciel
Formato de Participação: Online
Estado: Aprovado (Publicado)
Palavras chave: Hanseníase; Atenção Primária à Saúde; Educação em Saúde; Residência Multiprofissional

Introdução: A hanseníase é uma doença infecciosa crônica, causada pelo Mycobacterium leprae, que ainda persiste como um grave problema de saúde pública no Brasil. Além das complicações físicas, os pacientes enfrentam forte estigma social, o que compromete o diagnóstico precoce, a adesão ao tratamento e a reintegração social. Diante disso, ações que envolvam educação em saúde e acolhimento na Atenção Primária à Saúde (APS) são fundamentais para garantir o cuidado integral. Em um município com alta endemicidade para hanseníase, residentes multiprofissionais da Atenção Básica e Saúde da Família identificaram, no cotidiano de uma Unidade de Saúde da Família (USF), usuários em sofrimento emocional, com pouco conhecimento sobre a doença e com sinais de isolamento social. A proposta da criação de um grupo educativo e terapêutico surgiu como forma de fortalecer o cuidado e ampliar o suporte aos acometidos. Contudo, o envolvimento da equipe de saúde, especialmente das Agentes Comunitárias de Saúde (ACS), foram obstáculos para a manutenção da proposta. Este trabalho tem o objetivo de relatar a experiência da tentativa de criação de um grupo com pessoas com hanseníase em uma USF, durante residência multiprofissional, discutindo as barreiras encontradas na implementação da ação. Métodos: Trata-se de um relato de experiência desenvolvido por residentes multiprofissionais da APS, na implementação de um grupo com pessoas com hanseníase em uma USF entre fevereiro e julho de 2025. Resultados/Discussão: Primeiramente, aconteceu um matriciamento sobre hanseníase realizado pela Terapeuta Ocupacional da equipe Multiprofissional (Emulti) para as residentes e demais profissionais da equipe. Em seguida, a iniciativa envolveu a identificação de usuários com hanseníase em tratamento ou já tratados. Foram organizados encontros quinzenais com foco em rodas de conversa, atividades educativas, escuta qualificada e promoção do autocuidado. A organização foi conduzida por residentes das áreas de psicologia e fisioterapia com apoio inicial da equipe da USF e da Emulti. Entretanto, o horário dos encontros coincidiu com o turno da tarde, período em que os usuários realizam suas atividades rotineiras. Apesar dos esforços iniciais, o grupo não teve adesão significativa. Os usuários convidados demonstraram resistência em participar, seja por conflitos de horário, medo de exposição ou falta de compreensão sobre a proposta. Além disso, observou-se pouco envolvimento por parte das ACS, que não mobilizaram ativamente os usuários, e, em alguns casos, apresentaram comportamentos compatíveis com estigmas relacionados à hanseníase. A ausência de articulação entre os profissionais da equipe e a baixa prioridade atribuída à atividade foram fatores determinantes para a não efetivação do grupo. Considerações finais: A experiência revelou importantes barreiras na implantação de ações coletivas voltadas à hanseníase, especialmente quando há desarticulação interna na equipe e presença de preconceitos estruturais. A falta de engajamento das ACS, aliada à escolha de um horário incompatível com a rotina dos usuários, contribuiu para o insucesso da proposta. A experiência reforça a importância do planejamento participativo, da sensibilização da equipe e da escuta ativa das demandas do território como condições essenciais para que ações em saúde sejam de fato efetivas.