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Marilucia Alves da Venda, Hospital Central do Exército
Introdução: A Residência em Saúde, como política pública vinculada ao SUS, é um dos pilares para a formação crítica, integral e multiprofissional de trabalhadores da saúde. Ao longo de vinte anos de consolidação, esse campo formativo tem se configurado como espaço de defesa da formação qualificada e comprometida com a realidade social do país, mas também enfrenta a dura realidade da precarização, marcada por sobrecarga de trabalho, insuficiência de recursos e fragilidade das condições de ensino-serviço. Nesse contexto de tensões, torna-se essencial valorizar experiências pedagógicas que resistem à precarização e fortalecem o caráter emancipador da formação. Este trabalho tem como objetivo relatar e analisar atividades pedagógicas desenvolvidas na sala de espera, a partir da utilização de estratégias metacognitivas como ferramenta de ensino-aprendizagem na formação de residentes em saúde, destacando sua relevância frente aos desafios impostos pela precarização. Métodos: Trata-se de um relato de experiência vinculado a um projeto pedagógico desenvolvido em um hospital de ensino, no âmbito da Residência Multiprofissional. As atividades ocorrem semanalmente em sala de espera, conduzidas por residentes com mediação de preceptores. Foram aplicadas estratégias metacognitivas como: (i) questionamentos orientadores para planejamento das ações; (ii) autoavaliação reflexiva pós-encontro; e (iii) rodas de conversa com usuários, transformando o espaço em ambiente de diálogo e construção compartilhada de saberes. Os registros reflexivos foram analisados de forma descritiva e interpretativa, priorizando a aprendizagem dos residentes. Resultados/Discussão: As atividades revelaram que a sala de espera é um dispositivo potente de ensino-aprendizagem, favorecendo o desenvolvimento de competências comunicacionais, educativas e relacionais. As estratégias metacognitivas ampliaram a consciência crítica dos residentes sobre sua prática, permitindo que reconhecessem limites e potencialidades mesmo em contextos marcados por poucos recursos, o que traduz a realidade da precarização. Ao mesmo tempo, tais práticas representaram resistência formativa, pois asseguraram espaços pedagógicos de qualidade e centrados na integralidade do cuidado. O exercício reflexivo fortaleceu vínculos entre residentes, equipe de saúde e usuários, além de reafirmar a importância da Residência como locus de defesa da formação comprometida com o SUS. Considerações Finais: A experiência evidencia que, mesmo em meio à precarização, é possível preservar e fortalecer a qualidade da formação em Residência ao ressignificar espaços cotidianos, como a sala de espera, e ao adotar a metacognição como estratégia pedagógica. Essa proposta inovadora favorece a formação de profissionais mais críticos, reflexivos e autônomos, ao mesmo tempo em que reafirma a importância de resistir aos processos de desvalorização e fragilização da formação. Assim, iniciativas como esta contribuem para o fortalecimento de movimentos que reforçam o compromisso de preparar trabalhadores capazes de analisar, intervir e transformar a realidade do SUS.
