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Luanne Sherydan de Sousa Pereira, Escola de Saúde Pública do Ceará
Vitória Sabino Leão, Escola de Saúde Pública do Ceará
Ana Caroline Moreno de Oliveira, Escola de Saúde Pública do Ceará
Ailana Albuquerque Tota dos Santos, Escola de Saúde Pública do Ceará
Emilly Vitória Corrêa dos Santos, Escola de Saúde Pública do Ceará
Isabelly Sousa Pessoa, Escola de Saúde Pública do Ceará
Alana Mascarenhas Viana, Escola de Saúde Pública do Ceará
Markus Vinicius Paulino Crisostomo, Escola de Saúde Pública do Ceará
Lyllian Millena da Costa Matos, Escola de Saúde Pública do Ceará
Maria Helenice Almeida Leitão, Escola de Saúde Pública do Ceará
Introdução: A segurança do paciente é um princípio fundamental na prática cirúrgica, considerando os riscos elevados de eventos adversos nesse ambiente. Em resposta a esse cenário, a Organização Mundial da Saúde (OMS) instituiu, em 2008, o Protocolo de Cirurgia Segura, posteriormente adaptado pelo Ministério da Saúde do Brasil em 2013. Esse protocolo propõe um checklist dividido em três momentos críticos: antes da indução anestésica, antes da incisão cirúrgica e antes da saída do paciente da sala operatória. A proposta visa reduzir erros, fortalecer a comunicação entre os profissionais e padronizar condutas essenciais à segurança. Este relato tem como objetivo analisar a aplicação prática do checklist cirúrgico em um hospital de nível secundário, destacando a atuação da equipe multiprofissional e a adesão às normas de biossegurança. Métodos: Trata-se de um relato de experiência com abordagem qualitativa, realizado em junho de 2025, durante vivência no centro cirúrgico de um hospital público secundário em Fortaleza, Ceará. Resultados e Discussões: A observação direta de procedimentos cirúrgicos possibilitou identificar aspectos relevantes da execução do checklist de cirurgia segura, da comunicação entre os profissionais, da interação com os pacientes e do cumprimento das normas de biossegurança. A análise evidenciou desafios na operacionalização do protocolo, com variações na forma como as etapas são conduzidas. A etapa “Antes da Indução Anestésica” foi executada de maneira protocolar, com menor interação verbal com o paciente e verificação indireta de informações clínicas, previamente registradas em prontuário. As etapas “Antes da Incisão Cirúrgica” e “Antes da Saída da Sala” apresentaram maior detalhamento, sobretudo na contagem de materiais, embora tenham sido percebidas fragilidades, como dificuldades no manejo adequado de itens cirúrgicos. Também foram observados pontos de atenção relacionados às práticas de biossegurança, incluindo inconsistências no uso de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs), movimentação elevada de pessoas no campo operatório, uso de adornos e objetos pessoais, além da manipulação de soluções parenterais sem o devido controle térmico. Esses achados reforçam que, embora o protocolo seja conhecido pela equipe, sua aplicação efetiva está diretamente relacionada à conscientização, à comunicação interprofissional e ao fortalecimento contínuo da cultura de segurança. Considerações Finais: A experiência revelou uma desconexão entre a teoria e a prática na execução do checklist de cirurgia segura, frequentemente aplicado de forma automatizada, sem checagem ativa ou envolvimento efetivo da equipe com o paciente. Entre as estratégias de superação, destacam-se a implementação de treinamentos contínuos com metodologias ativas, como simulações realísticas, que reforcem a importância de cada etapa do checklist; a presença de supervisão técnica durante os procedimentos, para orientar e corrigir condutas em tempo real; e a criação de espaços regulares para discussão de casos, favorecendo o aprendizado coletivo. Além disso, auditorias internas com devolutivas construtivas e o fortalecimento da comunicação interprofissional são fundamentais para promover o engajamento das equipes. Consolidar uma cultura de segurança exige investimento institucional em educação permanente, valorização das boas práticas e estímulo à responsabilidade compartilhada. Somente com esse compromisso coletivo será possível assegurar uma assistência cirúrgica segura, humanizada e de qualidade.
