15º ENRS | Trabalhos Aprovados (Resumos)

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FORMAÇÃO EM RESIDÊNCIAS: O TEÓRICO FUNCIONA?
Authors:
Jamelyo Amancio Teodoro, Universidade Estadual de Montes Claros - UNIMONTES
José Anderson dos Santos, Universidade Estadual de Montes Claros - UNIMONTES
ID do resumo: 327
Enviado: 07/09/2025
Evento: 15º ENRS
Eixo Temático: Eixo 1 | Formação em Residência no SUS: saberes, práticas e desafios
Nome do apresentador: Jamelyo Amancio Teodoro
Formato de Participação: Presencial
Estado: Aprovado (Publicado)
Palavras chave: Formação profissional; Atenção Primária à Saúde; Residência não Médica

Introdução: As residências multiprofissionais em saúde são regulamentadas pela Lei nº 11.129/2005, que prevê formação majoritariamente prática, com proporção de 80% de atividades assistenciais e 20% de atividades teóricas. Na prática, essa divisão é geralmente aplicada semanalmente, mas raramente há um aporte teórico inicial estruturado antes da inserção do residente nos cenários de prática. Na Residência em Saúde da Família e Comunidade, muitos profissionais são lançados diretamente na Atenção Primária à Saúde (APS) sem ter aporte teórico ou experiências práticas prévias, o que gera lacunas de conhecimento e aumenta os riscos para o cuidado oferecido. Aprender “na prática” sem embasamento teórico torna-se uma experiência crítica que evidencia a necessidade de reflexão sobre a qualidade da formação. Desta forma, esse trabalho teve como objetivo refletir sobre o desencontro entre a teoria ofertada e a prática experenciada. Metodologia: Trata-se de um relato de experiência desenvolvido a partir da vivência de residentes de uma residência multiprofissional em saúde da família em um município do norte de Minas Gerais, no período de março de 2024 a agosto de 2025. A análise considerou a rotina de atividades teóricas e práticas, a percepção dos residentes quanto à integração entre teoria e prática, à relevância dos conteúdos oferecidos e à aplicabilidade no contexto real da APS. Resultados: A falta de um aporte teórico inicial consistente leva à inserção precoce dos residentes na prática, em sua área de especialização, sem o conhecimento necessário para desenvolver atividades de forma segura e crítica. Na maioria das vezes a teoria ofertada ocorre após a vivência, reforçando práticas preexistentes e reduzindo a capacidade de reflexão crítica, frente a uma realidade fragilizada. Nesse contexto, a experiência demonstrou que teoria e prática permanecem separadas de forma prejudicial. A oferta teórica é limitada, tanto em carga horária quanto em qualidade, e frequentemente não dialoga com as demandas do cotidiano da APS. A desconexão entre os conteúdos teóricos e os desafios reais do cotidiano da APS dificulta a transferência do conhecimento, limitando a capacidade dos residentes de adaptar protocolos e conceitos ao trabalho multiprofissional. Além disso, a divisão entre momentos teóricos e práticos fragmenta o aprendizado, impede a percepção da interdependência entre planejamento, cuidado assistencial e reflexão crítica, e reduz o espaço para discussões interprofissionais. Essa separação reforça a atuação individualizada por profissão, fragilizando a integração entre categorias e comprometendo a efetividade do trabalho multiprofissional. Conclusão: A experiência evidencia que a formação em residências multiprofissionais necessita de estratégias que promovam a convergência entre teoria e prática. Em contrapartida, a experiência demonstrou que um aporte teórico inicial maior poderia facilitar a compreensão do contexto e favorecer a inserção prática progressiva, permitindo que teoria e prática dialoguem de forma contínua. A ausência dessa estratégia reforça padrões de atuação fragmentados, comprometendo o objetivo central da residência multiprofissional, que é formar profissionais capazes de atuar de maneira integrada, crítica e colaborativa no cuidado à comunidade. A participação ativa dos residentes na construção do conteúdo teórico pode aproximar teoria e prática, fortalecendo o aprendizado crítico e colaborativo.