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Larissa Ravenna Brandão Silva, Escola de Saúde Pública Visconde de Saboia
Introdução: A tuberculose (TB) é uma das principais causas de adoecimento no Brasil e no mundo, sendo classificada como emergência em saúde pública pela Organização Mundial da Saúde. Entre povos indígenas brasileiros, a incidência é maior que na população geral, reflexo de desigualdades históricas, barreiras de acesso e condições sociais adversas. Os sintomas típicos incluem tosse persistente por mais de três semanas, dor no peito, emagrecimento involuntário, febre baixa, fadiga e sudorese noturna. O não reconhecimento precoce favorece a transmissão e agrava o quadro clínico. Nesse cenário, a vigilância em saúde indígena tem papel essencial na detecção de casos, no monitoramento de contatos e no fortalecimento do cuidado. O tema justifica-se pela alta carga de casos de tuberculose nas comunidades indígenas e pela necessidade de estratégias culturalmente adequadas. O objetivo deste trabalho é analisar os desafios e perspectivas da vigilância indígena frente à tuberculose. Métodos: Foi realizada revisão de literatura em artigos científicos das bases de dados: BVS e SciELO, relatórios técnicos do Ministério da Saúde, dados do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN) e documentos institucionais publicados entre 2015 e 2024. Foram selecionados estudos que abordam a epidemiologia da tuberculose em populações indígenas, a atuação da vigilância em saúde e fatores sociais e culturais relacionados. Resultados/Discussão: A prevalência da tuberculose em comunidades indígenas é significativamente superior à média nacional. Entre os fatores que explicam esse cenário estão aglomeração domiciliar, desnutrição, distância das aldeias em relação aos centros urbanos e dificuldades no acesso a exames diagnósticos. Esses elementos retardam o início do tratamento e ampliam a vulnerabilidade. O sistema de vigilância em saúde indígena, estruturado pela Secretaria Especial de Saúde Indígena (SESAI) e pelos Distritos Sanitários Especiais Indígenas (DSEI), é um avanço, mas enfrenta limitações como escassez de profissionais, rotatividade das equipes, barreiras linguísticas e falhas no registro das informações. Outro desafio é integrar práticas tradicionais de saúde aos protocolos biomédicos. A ausência de diálogo intercultural gera desconfiança e compromete a adesão ao tratamento supervisionado, fundamental para a cura. O estigma da doença e a descontinuidade no fornecimento de medicamentos favorecem o abandono terapêutico e o risco de resistência bacteriana. Apesar disso, experiências locais indicam avanços. O protagonismo indígena, por meio de agentes de saúde e lideranças comunitárias, fortalece a vigilância e amplia a adesão. Estratégias educativas em língua materna e que dialogam com saberes tradicionais também se mostram eficazes para prevenção e cuidado. Considerações finais: A vigilância em saúde indígena é indispensável no enfrentamento da tuberculose, mas enfrenta desafios estruturais, sociais e culturais que reduzem sua efetividade. Avançar exige políticas intersetoriais que melhorem as condições de vida, assegurem recursos para diagnóstico e tratamento e garantam equipes multiprofissionais estáveis. Fortalecer o protagonismo indígena e integrar saberes tradicionais ao conhecimento científico são medidas fundamentais. Somente estratégias articuladas poderão reduzir desigualdades e garantir o direito à saúde, contribuindo para o controle da tuberculose nesses territórios.
