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Tawana Mirelle Gonçalves de Oliveira, Universidade Estadual de Londrina
Jaine Yumi Sugiyama, Universidade Estadual de Londrina
Aline Franciely de Santana Assis, Universidade Estadual de Londrina
Ester Massae Okamoto Dalla Costa, Universidade Estadual de Londrina
Flávia Troncon Rosa, Universidade Estadual de Londrina
Silvana Cardoso de Souza, Universidade Estadual de Londrina
Introdução: A atenção à saúde da mulher propõe promover mediante a um conjunto de estratégias e ações sob a ótica de gênero, um olhar amplo às questões que perpassam a saúde feminina desde a menarca até o climatério. As mulheres estão sujeitas a desorganizações orgânicas relacionadas a vida reprodutiva e a outras patologias como doenças crônicas, autoimunes e quadro álgicos. O processo do adoecimento do corpo biológico não está desvinculado das questões emocionais, como ansiedade, depressão e questões alimentares. Diante das especificidades que atravessam o corpo feminino, esse trabalho tem o intuito de partilhar a importância do saber coletivo no atendimento à saúde da mulher. Métodos: Este relato consiste em um estudo descritivo que tem a finalidade de expor a vivência de uma equipe multiprofissional, composta por profissionais da Educação Física, Nutrição e Psicologia, em um programa de Residência Multiprofissional em Saúde da Mulher (RMSM). A experiência descrita ocorreu no primeiro semestre de 2025, em uma Unidade Básica de Saúde. Resultados/Discussão: O trabalho da equipe multiprofissional na RMSM caracteriza-se por ser um trabalho coletivo devido a troca e a construção de saberes de diferentes áreas profissionais. Por meio das consultas compartilhadas, a equipe busca romper com a fragmentação do sujeito e prioriza estabelecer uma relação de confiança com a paciente para viabilizar um tratamento que considere aspectos históricos e culturais. As mulheres chegam ao atendimento com queixas do campo biológico e/ou emocionais e em seus discursos o sofrimento é marcado tanto pela desigualdade de gênero quanto por questões do lugar social do qual falam. Estas queixas estão associadas as relações, sejam amorosas ou familiares, e aos aspectos de uma afirmação viril pela beleza, sexo e capacidade de cuidar. Junto a cada mulher atendida, busca-se pensar na mudança de hábitos e no cuidado pessoal, bem como em estratégias de intervenção em saúde mental. Durante os atendimentos as mulheres foram convidadas a um novo movimento: olhar para si. Ao perceberem que passam a maior parte do tempo cuidando dos outros em seu entorno, ressignificam a sua vivência e começam a pensar em um cuidado físico e mental. Além das consultas compartilhadas, outras possibilidades com a finalidade de viabilizar o autocuidado foram desenvolvidas: atendimentos em grupos, de educação em saúde e atendimentos individuais de acordo com a demanda e avaliação profissional. A vivência desta experiência enquanto equipe nos mostra que o olhar integral contribui na adesão ao tratamento e as mulheres resgatam a sua importância, identidade e autoestima. Considerações finais: A realização de um trabalho interdisciplinar é um desafio diante do enfoque no corpo orgânico e do modelo médico-assistencialista. O movimento de articulação dos diferentes saberes mostra-se de grande importância para o atendimento às necessidades das usuárias de forma integral e qualificada. Por fim, possibilitar um olhar para a singularidade e subjetividade da mulher em um trabalho interdisciplinar indica um início de uma tentativa potente de uma atenção à saúde da mulher que não se limita ao campo biológico.
