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José Gleicion Carneiro Freire, Escola de Saúde Pública Visconde de Saboia
Marcelo Araújo de Vasconcelos, Escola de Saúde Pública Visconde de Saboia
Rafaela Maria da Silva Gomes, Escola de Saúde Pública Visconde de Saboia
Monike Mendes Coelho, Escola de Saúde Pública Visconde de Saboia
Crislaine Duarte de Loiola, Escola de Saúde Pública Visconde de Saboia
Haimée Sousa Fontgalland, Escola de Saúde Pública Visconde de Saboia
Andressa Carvalho Rocha, Escola de Saúde Pública Visconde de Saboia
Introdução: O manejo e o descarte de resíduos perfurocortantes constituem um desafio permanente nos serviços de saúde, especialmente em instituições de longa permanência para idosos, que demandam cuidados contínuos e apresentam rotinas assistenciais complexas. A manipulação inadequada desses materiais pode gerar riscos ocupacionais, acidentes de trabalho e impactos ambientais relevantes, caso não sejam adotadas medidas seguras e sustentáveis. A ausência de protocolos padronizados, de registros sistematizados e de monitoramento sobre a geração e o destino desses resíduos contribui para práticas incorretas e heterogêneas. Diante dessa problemática, este estudo teve como objetivo analisar as práticas dos profissionais de enfermagem relacionadas ao manejo e ao descarte de perfurocortantes em um abrigo de idosos situado na cidade de Sobral, Ceará. Métodos: Trata-se de um estudo observacional, retrospectivo e descritivo, de natureza qualitativa. A coleta de dados foi realizada por meio de observação direta das rotinas da equipe de enfermagem, considerando as práticas adotadas para o manuseio e o descarte de materiais perfurocortantes no ambiente institucional. O enfoque metodológico possibilitou a identificação de condutas utilizadas pelos profissionais, bem como a análise crítica de suas implicações para a segurança do trabalho e para a gestão dos resíduos de serviços de saúde. Resultados/Discussão: A investigação evidenciou fragilidades importantes no processo de gerenciamento de resíduos. Constatou-se que o abrigo não possui Plano de Gerenciamento de Resíduos de Serviços de Saúde (PGRSS), tampouco planilhas de monitoramento capazes de registrar a quantidade e a tipologia dos resíduos produzidos. Essa lacuna compromete o planejamento de estratégias de redução de riscos e de práticas sustentáveis. Entre os materiais mais descartados, destacaram-se luvas, agulhas, seringas, ampolas e algodão, sendo observadas inadequações na segregação entre perfurocortantes e outros resíduos biológicos. Verificou-se também a ausência de Protocolo Operacional Padrão (POP), situação que favorece a adoção de técnicas individuais pelos profissionais, resultando em heterogeneidade das práticas e potencializando a ocorrência de acidentes com material infectante. A inexistência de instrumentos normativos e de capacitações regulares limita a efetividade das medidas de biossegurança e dificulta a implementação de ações de gerenciamento de resíduos apropriadas, essenciais para reduzir riscos ocupacionais e impactos ao meio ambiente. Considerações finais: Os resultados demonstram a necessidade urgente de investimentos na capacitação dos profissionais de enfermagem, na elaboração de protocolos institucionais e na implantação de estratégias eficazes de gerenciamento de resíduos em abrigos de idosos. Tais medidas contribuem para qualificar a assistência em saúde, fortalecer a segurança ocupacional e promover práticas sustentáveis alinhadas às políticas públicas de saúde ambiental. Os profissionais de enfermagem, ao atuarem como agentes transformadores, desempenham papel central na construção de ambientes mais seguros e conscientes, conciliando a prestação do cuidado com a responsabilidade ambiental. Dessa forma, a integração entre enfermagem, biossegurança e descarte consciente constitui um instrumento essencial para o desenvolvimento de uma sociedade mais equilibrada, responsável e comprometida com a saúde das gerações atuais e futuras.
