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Mariana Caroline de Santana Souto, Universidade Federal de Pernambuco - Centro Acadêmico da Vitória
Cássia Milena Cavalcanti De Santana, Universidade Federal de Pernambuco - Centro Acadêmico da Vitória
Ana Carolina da Silva Reis, Universidade Federal de Pernambuco - Centro Acadêmico da Vitória
Dayne Maria Zacarias da Silva, Universidade Federal de Pernambuco - Centro Acadêmico da Vitória
Angela Bezerra da Silva, Universidade Federal de Pernambuco - Centro Acadêmico da Vitória
Ana Beatriz de Melo Pereira, Universidade Federal de Pernambuco - Centro Acadêmico da Vitória
Alícia Sandrelly Ramos da Cruz, Universidade Federal de Pernambuco - Centro Acadêmico da Vitória
Introdução: A residência em saúde no Sistema Único de Saúde (SUS) é um modelo essencial de formação em serviço, voltado à qualificação profissional e ao fortalecimento das práticas em saúde. Contudo, diversos desafios diários comprometem a qualidade formativa. Entre eles, destacam-se a sobrecarga de trabalho e a fragilidade dos serviços, que podem desestimular os residentes, precarizar a aprendizagem e afetar a saúde mental, além de repercutirem na assistência prestada. O objetivo deste trabalho é discutir a experiência de residentes de equipes multiprofissionais (eMulti) em territórios de um município, com foco nos desafios relacionados à sobrecarga de trabalho e suas implicações para a formação e o cuidado. Métodos: Trata-se de um relato de experiência, fundamentado na vivência de residentes multiprofissionais na Atenção Primária. O processo metodológico baseou-se em observação direta do cotidiano de trabalho, análise crítica das atribuições e reflexão sobre os impactos da sobrecarga no processo formativo e no bem-estar dos residentes. O presente trabalho não se aplica a Comitê de Ética por tratar-se de relato de experiência profissional, sem exposição de dados sensíveis. Resultados/Discussão: A inserção dos residentes nos territórios evidenciou a ausência de clareza quanto às atribuições e fragilidades dos serviços. Essa lacuna resultou muitas vezes em sobrecarga de atividades e desvio de função, que extrapolam a competência profissional esperada para o nível formativo. Apesar do suporte acadêmico da instituição formadora, a rotina intensa e a utilização inadequada da força de trabalho dos residentes revelaram-se fatores desmotivadores, impactando negativamente a formação, a saúde mental e a percepção de pertencimento à equipe. Esses aspectos reforçam como a precarização compromete a finalidade da residência, distanciando-a de sua proposta de ensino-aprendizagem em serviço. Observou-se por diversas vezes uma comparação explícita entre a residência e um estágio, sendo possível perceber a falta de conhecimento a respeito do que é ser residente. É importante mencionar que as percepções acima citadas foram trazidas por residentes de dois territórios diferentes, mas com vivências parecidas, no mesmo município. Considerações finais: A experiência aponta para a urgência de repensar a função do residente no SUS, garantindo que sua atuação seja orientada por objetivos pedagógicos, supervisão qualificada e condições adequadas de trabalho. O enfrentamento da sobrecarga e do uso indevido da mão de obra é fundamental para assegurar a residência como um espaço de formação crítica, comprometida com a defesa do SUS e capaz de formar profissionais motivados e preparados para a prática.
