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Júlia Giglio Folena, Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia Jamil Haddad (INTO)
Ana Maria de Oliveira Damasceno, Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia Jamil Haddad (INTO)
INTRODUÇÃO: Até meados do século XX, a concepção de saúde se limitava à ausência de doenças. A partir dos anos 1950, principalmente dos anos 1970 no Brasil, com o fortalecimento dos movimentos de Reforma Sanitária e da epidemiologia crítica latino-americana, assistimos a consolidação da noção ampliada de saúde, caracterizada como o pleno bem-estar físico, mental e social. Com isso, se fortalece a compreensão de que o trabalho na saúde deve ser coletivo, suscitando a necessidade das equipes multiprofissionais, com profissionais de diversas áreas do conhecimento. Nesse contexto, ganha relevância a Educação Interprofissional (EIP), que promove a aprendizagem conjunta entre diferentes categorias para qualificar o trabalho em equipe e ampliar a integralidade da atenção. As residências multiprofissionais, ao aliarem formação teórica e prática em serviço, configuram-se como campo privilegiado para fomentar a EIP, especialmente em instituições de alta complexidade, nas quais os usuários demandam cuidados integrais. Este relato tem como objetivo refletir sobre a experiência de uma residente, no primeiro ano de um programa multiprofissional, em relação à incorporação da EIP ao processo formativo. MÉTODO: Trata-se de um relato de experiência de uma residente de Serviço Social inserida em um programa multiprofissional de uma instituição de alta complexidade do Sistema Único de Saúde. RESULTADO E DISCUSSÃO: A instituição organiza-se em Centros de Atenção Especializados que organiza a assistência à saúde em equipes multiprofissionais. O programa de residência abrange sete categorias profissionais e promove experiências práticas em diferentes setores, permitindo aos residentes conhecer a diversidade de cenários de cuidado. A EIP se apresenta como estratégia no planejamento e na execução das atividades do programa, que combinam momentos teóricos, teórico-práticos e práticos. Foram propostas ações que estimulam explicitamente o aprendizado “com, sobre e entre” os diferentes profissionais, como visitas multiprofissionais, rounds clínicos, sessões de discussão de casos e atendimentos conjuntos. Essas estratégias pedagógicas favoreceram o reconhecimento das competências específicas e complementares de cada área, gerando um processo formativo marcado pelo diálogo, pela corresponsabilidade e pela construção coletiva de condutas. A experiência revela que, ao possibilitar aos residentes compartilhar vivências e práticas colaborativas no sentido da EIP, as práticas fragmentadas da assistência em saúde podem ser superadas. Essa aproximação possibilitou maior integração entre as áreas, ampliando a compreensão sobre os sujeitos e fortalecendo a qualidade do atendimento prestado. O exercício da EIP também contribuiu para o desenvolvimento de habilidades pedagógicas nos residentes, que aprenderam a facilitar processos educativos em equipe. CONSIDERAÇÕES FINAIS: A residência multiprofissional, inserida no cenário de alta complexidade, mostrou-se um espaço estratégico para o fortalecimento da EIP no SUS. As atividades conjuntas permitiram formar profissionais mais preparados para o trabalho em equipe, promovendo práticas colaborativas que reconhecem a integralidade das necessidades de saúde. O relato evidencia que a EIP qualifica o cuidado e potencializa o processo formativo, consolidando a residência como ferramenta de transformação das práticas em saúde.
