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Ester Xavier Calvi, Instituto Capixaba de Ensino, Pesquisa e Inovação em Saúde
Gabriela Quirino Alves, Instituto Capixaba de Ensino, Pesquisa e Inovação em Saúde
Maria Antonia Rodrigues da Silva Lima, Instituto Capixaba de Ensino, Pesquisa e Inovação em Saúde
Jose Vitor Pereira de Aquino, Instituto Capixaba de Ensino, Pesquisa e Inovação em Saúde
Introdução: Os cuidados paliativos (CP) constituem uma abordagem fundamental para a promoção da qualidade de vida de pacientes e familiares diante de doenças ameaçadoras à vida. Na Unidade de Terapia Intensiva (UTI), onde predomina a lógica curativa e o uso intensivo de tecnologias, a implementação dos CP encontra obstáculos significativos, como a resistência de equipes, dificuldades de comunicação e dificuldade de adesão aos protocolos institucionais. Este estudo busca refletir sobre os principais desafios para a consolidação dos Cuidados Paliativos na UTI por meio da vivência da residência multiprofissional em cuidados paliativos. Métodos: Trata-se de um relato de experiência desenvolvido a partir da prática assistencial desenvolvida pela residência multiprofissional em cuidados paliativos em uma UTI, no acompanhamento de pacientes em condições clínicas irreversíveis assistidas em um hospital localizado na região sul do estado do Espírito Santo. Resultados/Discussão: A experiência revelou que os principais desafios para a implementação dos cuidados paliativos na UTI estão relacionados a três aspectos principais: 1) aspectos culturais e éticos, evidenciados pela dificuldade da equipe em reconhecer limites terapêuticos, resistência em suspender intervenções fúteis e tendência à manutenção de medidas invasivas; 2) aspectos organizacionais e institucionais, demonstrados pela ausência de equipes multiprofissionais de cuidados paliativos, bem como pelas dificuldades formativas e educacionais dos profissionais que geram insegurança no desenvolvimento de ações de paliativas 3) aspectos comunicacionais, advindos das barreiras na condução de diálogos claros com familiares sobre prognóstico, expectativas e objetivos do cuidado. Considerações finais: A implementação dos cuidados paliativos na terapia intensiva permanece como um desafio multifatorial, que exige mudanças estruturais, culturais e educacionais. É necessário ampliar a formação das equipes de saúde, instituir protocolos claros de abordagem e fortalecer a comunicação entre profissionais, pacientes e familiares. Além disso, políticas institucionais e públicas devem reconhecer a relevância dos CP como componente essencial no cuidado intensivo, promovendo sua inserção precoce e sistemática.
