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Marcos Gustavo Braz de Araújo, Escola de Saúde Pública Visconde de Saboia
Francisco Valdicélio Ferreira, Universidade Estadual do Ceará
Anderlane Sara de Sousa Paiva, Escola de Saúde Pública Visconde de Saboia
Monike Mendes Coelho, Escola de Saúde Pública Visconde de Saboia
Rafaela Maria da Silva Gomes, Escola de Saúde Pública Visconde de Saboia
Maria Laiza de Souza, Escola de Saúde Pública Visconde de Saboia
Introdução: A terapia antirretroviral (TARV) fez do HIV uma condição crônica, que exige uma abordagem multiprofissional, na qual a nutrição desempenha um papel de fundamental importância, principalmente para resposta imune e manejo de comorbidades secundárias à condição (Gandhi, 2024). A baixa taxa de encaminhamento das pessoas vivendo com HIV/AIDS (PVHA) para consultas de nutrição resulta em acompanhamentos tardios, possibilitando que esses pacientes desenvolvam quadros de desnutrição e dislipidemia (Alum, 2023). A inexistência de um protocolo claro foi identificada como uma grande barreira. O principal objetivo frente a essa realidade foi desenvolver um fluxograma que sistematizasse o encaminhamento, integrado à assistência nutricional à rotina da equipe. Métodos: Este relato de experiência descreve a criação e implementação de um fluxograma de atendimento nutricional. Foi desenvolvido um instrumento visual e de fácil aplicação, baseado em diretrizes do Ministério da Saúde, com critérios objetivos para o encaminhamento. Após a elaboração, o fluxograma foi apresentado à gestão da unidade, aos médicos e enfermeiros, visando sensibilizar o serviço e instruí-los sobre o instrumento de referência de pacientes. Resultados/Discussão: Após a implementação, houve um leve aumento nos encaminhamentos para a nutrição. Notavelmente, a equipe de enfermagem foi a principal fonte de encaminhamentos. O achado sugere que o instrumento serviu como um empoderador da equipe de enfermagem, que, por ter um contato mais frequente com os pacientes, passou a usar o fluxograma para identificar as necessidades nutricionais dos pacientes, fazendo os encaminhamentos com mais segurança. A menor adesão do instrumento pelos médicos pode ser explicada pela alta demanda ou por uma visão mais focada exclusivamente no tratamento medicamentoso. O resultado, ainda que pequeno, mostra que a padronização de processos é de fundamental importância para fortalecer o cuidado interprofissional. Considerações finais: O fluxograma se mostrou como uma importante ferramenta de baixo custo e alto potencial para organização do serviço e sensibilização da equipe. O instrumento foi fundamental para a integração do cuidado nutricional na rotina do serviço, melhorando a assistência às PVHA. A experiência ressalta o papel proativo da equipe de enfermagem na gestão do cuidado e aponta a necessidade de educação permanente acerca da importância do acompanhamento nutricional.
