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Maykon Rodrigo Arruda, Universidade Estadual de Santa Cruz
Dejeane de Oliveira Silva, Universidade Estadual de Santa Cruz
INTRODUÇÃO: A atenção básica é um espaço estratégico para o cuidado em saúde mental, especialmente em casos de ansiedade, condição frequente que compromete a vida pessoal, familiar e social. A Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) é uma abordagem baseada em evidências que favorece a identificação e a modificação de pensamentos disfuncionais, fortalecendo a autonomia e a autoconfiança. Situações de vulnerabilidade, como ausência de rede de apoio e histórico de violência, ampliam a relevância de intervenções acessíveis e efetivas no território. Diante disso, o objetivo deste trabalho foi relatar a experiência do uso de técnicas da TCC, com foco na psicoeducação e reestruturação cognitiva, em paciente com sintomas ansiosos atendida na atenção básica. MÉTODOS: Trata-se de um relato de experiência de caráter clínico-assistencial, desenvolvido no contexto do Programa de Residência Multiprofissional em Saúde da Família. Foram realizados quatro atendimentos psicológicos individuais, entre julho e agosto de 2025, com periodicidade quinzenal, de uma mulher adulta com queixas de ansiedade, insegurança no cuidado materno e baixa autoconfiança. As intervenções envolveram psicoeducação sobre o modelo cognitivo da TCC, uso de listas de evidências para identificação de forças pessoais, treino de habilidades sociais e linha do tempo reflexiva. Não houve coleta de dados identificáveis, preservando o sigilo da participante, em conformidade com a legislação vigente. RESULTADOS/DISCUSSÃO: A paciente apresentou, no início, elevada insegurança em relação à maternidade, evitação de atividades sociais e pensamentos disfuncionais relacionados à sensação de fracasso e vulnerabilidade. A utilização da psicoeducação favoreceu a compreensão do funcionamento da relação existente entre pensamentos, emoções e comportamentos, reduzindo o impacto de crenças negativas. O exercício de identificação de evidências contrárias à crença de “fraqueza” estimulou a autopercepção de capacidades e fortaleceu o senso de autoeficácia. A aplicação da linha do tempo reflexiva contribuiu para organizar emoções e perspectivas de futuro, ampliando a percepção de evolução pessoal. As técnicas voltadas à reestruturação cognitiva favoreceram a redução da ansiedade, a diminuição de pensamentos catastróficos e o fortalecimento da autoconfiança. O treino de habilidades sociais possibilitou abertura para dialogar sobre experiências traumáticas com o parceiro, favorecendo a melhora no relacionamento familiar. Ao término do processo, a paciente relatou melhora emocional e fortalecimento pessoal, corroborados por familiares. CONSIDERAÇÕES FINAIS: O uso de técnicas da TCC mostrou-se efetivo como intervenção breve e aplicável na atenção básica, favorecendo redução de sintomas ansiosos, ressignificação de experiências e fortalecimento de vínculos familiares. A combinação de psicoeducação, reestruturação cognitiva e treino de habilidades sociais possibilitou avanços na percepção de capacidades pessoais, na organização de emoções e na construção de perspectivas de futuro mais positivas. O relato evidencia o potencial da residência multiprofissional como espaço formativo para práticas psicológicas baseadas em evidências, contribuindo para a integralidade do cuidado e para a valorização da saúde mental no território.
