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Sabrina de Sousa Lima, Escola de Saúde Pública do Ceará - ESP/CE
Introdução: A residência multiprofissional em saúde coletiva forma profissionais sanitaristas, que após sua formação podem atuar nas diversas áreas da gestão em saúde, seja na vigilância monitorando doenças e agravos, na promoção da saúde, na epidemiologia e na construção de melhoria da qualidade de vida da população. Sendo assim, a experiência é rica em aprendizados, visando moldar um profissional crítico e pronto para conduzir a saúde, porém existem barreiras que precisam ser atravessadas dentro dos cenários de prática para efetividade dessa formação. O objetivo do estudo é relatar os desafios e possibilidades do profissional residente no cenário de prática da saúde coletiva. Métodos: Trata-se de um estudo descritivo, com abordagem qualitativa, do tipo relato de experiência. O trabalho foi desenvolvido a partir da vivência da autora enquanto profissional integrante de um programa de Residência Multiprofissional com ênfase em Saúde Coletiva no período de março a agosto de 2025. Resultados/Discussão: Durante os meses de atividades práticas da residência, foram observados alguns pontos desafiantes. Entre os principais, destacam-se a falta de reconhecimento do residente como um profissional preparado e formado para atuar no serviço, a incompreensão da saúde coletiva como uma formação voltada para a gestão do SUS, a ausência de profissionais capacitados para a gestão e coordenação dos serviços de saúde, e a fragilidade dos mecanismos de apoio institucional e técnico, que limita o desenvolvimento de ações integradas e a participação efetiva do residente nas decisões do serviço. Quanto às possibilidades, destacam-se o contato com diversos programas e políticas públicas de saúde, a construção de espaços de diálogo, a oportunidade de propor ideias para o fortalecimento da construção da saúde, e a vivência de experiências práticas que contribuem para a formação crítica e reflexiva do residente, fortalecendo sua atuação na promoção e gestão da saúde coletiva. Nesse contexto, a construção da formação do residente sofre impactos que influenciam não apenas o desenvolvimento de habilidades técnicas e gerenciais, mas também a capacidade de interagir com equipes, propor soluções e contribuir para a melhoria contínua dos processos de atenção à saúde. Considerações finais: Portanto, na perspectiva dos desafios e possibilidades, o residente enfrenta questões relacionadas, sobretudo, ao reconhecimento de seu papel e da sua potencialidade para contribuir de forma efetiva nos serviços de saúde. Ademais, é fundamental fomentar estratégias institucionais que promovam a valorização do residente, a integração entre os diferentes níveis de atenção e a capacitação contínua das equipes, garantindo que a formação em saúde coletiva se traduza em práticas efetivas de gestão e promoção da saúde.
