15º ENRS | Trabalhos Aprovados (Resumos)

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EXPANSÃO DAS RESIDÊNCIAS EM SAÚDE DA FAMÍLIA E COMUNIDADE: REFLEXÕES, DESAFIOS E PERSPECTIVAS FORMATIVAS
Authors:
José Anderson dos Santos, Universidade Estadual de Montes Claros
ID do resumo: 81
Enviado: 30/08/2025
Evento: 15º ENRS
Eixo Temático: Eixo 3 | Políticas, Gestão e Sustentabilidade das Residências em Saúde
Nome do apresentador: José Anderson dos Santos
Formato de Participação: Presencial
Estado: Aprovado (Publicado)
Palavras chave: Atenção Primária à Saúde, Capacitação Profissional, Residência não Médica

Introdução: A expansão das residências multiprofissionais em Saúde da Família e Comunidade representa um marco estratégico para o fortalecimento do Sistema Único de Saúde (SUS) e para a consolidação da Atenção Primária como eixo estruturante do cuidado em saúde. A ampliação da oferta de vagas reflete o reconhecimento das residências como espaços privilegiados de aprendizagem e de indução de mudanças nos territórios. Entretanto, essa expansão quantitativa não ocorre de forma homogênea e evidencia importantes desafios estruturais e pedagógicos. As desigualdades regionais impactam diretamente a qualidade da formação ofertada. Desta forma, esse trabalho teve como objetivo refletir sobre a expansão de residências multiprofissionais em Saúde da Família e Comunidade, a partir da vivência da residência em um município de pequeno porte. Métodos: Trata-se de um relato de experiência reflexivo desenvolvido por residente em Saúde da Família e Comunidade, durante o período de março de 2024 a agosto de 2025, acerca da expansão da residência em um município de pequeno porte, no interior de Minas Gerais. Resultados/discussão: A experiência vivenciada evidenciou tanto o potencial transformador da residência em Saúde da Família e Comunidade, quanto suas fragilidades estruturais, realçando a necessidade de um planejamento estruturado. Entre os desafios observados, destacaram-se a falta de espaços adequados para o desenvolvimento das atividades, bem como a sobrecarga das equipes de saúde. A preceptoria também se mostrou um ponto crítico. Apesar da dedicação dos profissionais, esses não possuíam formação pedagógica específica para a função, o que resultou em um acompanhamento por vezes mais voltado para a execução de tarefas do que para a construção crítica do aprendizado. Lacuna essa revelada pela pouca oferta de capacitações e apoio institucional.  Outro aspecto relevante foi a dificuldade de articulação entre academia, gestão municipal e serviços de saúde. Observou-se um desencontro entre as demandas assistenciais e os objetivos pedagógicos, fragilizando o processo formativo. Além disso, a instabilidade dos vínculos de trabalho se refletiram na baixa perspectiva de fixação dos profissionais após o término do programa, esse que é um dos objetivos da expansão de residência em saúde para o interior. Apesar desses entraves, a experiência também apontou para aspectos positivos. A inserção dos residentes no território favoreceu o contato direto com a realidade local, estimulando a adaptação criativa às condições existentes, a produção de conhecimento contextualizado e a valorização da integralidade do cuidado. Além disso, possibilitou maior aproximação da comunidade com os serviços, fortalecendo o vínculo usuário-equipe e potencializando transformações no cotidiano da Atenção Primária. Considerações finais: A experiência dessa expansão em municípios do interior evidencia que a efetividade desses programas depende não apenas da criação de vagas, mas da garantia de condições estruturais adequadas, da valorização do residente como sujeito em formação e da preparação pedagógica dos preceptores. Mais do que suprir lacunas temporárias de assistência, a residência deve ser entendida como espaço de produção de conhecimento, de inovação em saúde e de fortalecimento do vínculo entre profissionais, comunidade e sistema de saúde.